No mundo contemporâneo e líquido, pensar educação é pensar mediação, colaboração, cognição, habilidades e solidariedade. É enfim pensar estímulos ao pensamento mais complexo de todos. É possível? Vamos tentar!
sexta-feira, 6 de abril de 2012
FATOR DISTRAÇÃO
Ontem, após ministrar aula de produção textual, solicitei aos alunos que realizassem a seguinte tarefa: a partir de um vídeo de música, tirassem temas relacionados e compusessem uma pequena estrofe com as temáticas selecionadas. Era um trabalho em dupla. Eu também queria vê-los criando argumentos para convencer seu parceiro a usar determinados temas e não outros. Enquanto todos estavam concentrados, percebi uma aluna parada, quieta e olhando para mim. Assim que olhei, ela baixou os olhos. Estranhei. O tempo passou. A menina olhava para todos os lados, ai parou na janela e lá ficou até o final da aula. O que acontecia? – eu me perguntava. Todos entregaram seus trabalhos, menos ela. Ao ser perguntada, respondeu: ‘ah professora, estou muito distraída, não me concentrei’ – e saiu. Fiquei em silêncio...
Em casa pensei: fora a ansiedade, a distração é um recurso interessante para quem não se vê ou não se quer ver dentro da realidade; é um mecanismo de defesa comum àqueles que estão insatisfeitos, incomodados ou aceitaram a ideia de que não são importantes ou capazes. Não consegui dormir...
Meus alunos são distraídos de tudo! Será que suas massas cinzentas, recheadas de neurônios, foram afetadas por esse mundo cheio de necessidades e tão veloz? Então, como ultrapassar essa barreira tão forte e chegar ao um mínimo de atenção, concentração e reflexão em sala e na vida? Pego alguns livros de didática, outros de prática de ensino, um de modelos pedagógicos e leio diferentes pontos. Além da concentração, a informação assimilada precisa de células de gliais (precisa de proteção) para apresentar resultados cognitivos e isso, pelo jeito, só com desafios muito contemporâneos.
Na mesa de estudos do meu quarto, penso em aulas anteriores e de repente minha memória traz a lembrança alunos em distração de todo jeito, do mais ativo ao mais quieto: alunos agitados, entrando e saindo, papeando, apenas de corpo presente, sem material e muitos reclamando. Como não entendi isso? Como deixei passar? Realmente o cérebro é emocional e altamente seletivo: eu vi o que EU queria ver. Porém agora não há mais inocência, hoje tive nova maturação em torno da docência e agora eu sei: devo fazer alguma coisa! Minha disposição não adianta de nada, preciso criar predisposições.
Primeira ideia é de que cada encéfalo tem um movimento plástico diferente, logo as capacidades de manter a atenção estão lá em potência, mas também são diferentes. Essas capacidades dependem diretamente do funcionamento adequado e integrado de diversas áreas cerebrais, afinal é o cérebro, o órgão mais bombardeado de informações provenientes tanto dos órgãos dos sentidos (origens mais conhecidas), quanto de sistemas internos de regulação orgânica (como sistema de controle da postura corporal ou funcionamento metabólico).
Meus alunos, em sua maioria, moram em comunidades de média ou alta periculosidade. De alguma maneira estão envolvidos com as questões de violência de suas comunidades e sua crescente perda de valores e autoestima. Não acessam com facilidade as diferentes manifestações artísticas (cultura) e entendem a escola como espaço de obrigações chatas ou uma total perda de tempo. Quase todos têm problemas familiares sérios e médios desvios de conduta. Têm pouca qualidade alimentar ideal. E, como estão no Ensino Médio, público, noturno, sentem-se desvalorizados, desprestigiados e esquecidos por todos. Em muitos casos, muito cedo, sob a influência dos esquecidos anteriores (pessoas mais velhas e próximas), já optaram por caminhos de vida completamente ilegais. Muitos de meus alunos estão comprometidos com o poder da ilegalidade das relações e das conquistas.
Como recebemos mais informação do que o cérebro é capaz de lidar, temos que manter vários processamentos. No meio disso, surgem outras necessidades: filtrar ou bloquear parte dessas informações com os objetivos de sobreviver, escolher e tomar decisões. E prestar atenção é fundamental. E se dar um tempo de escuta e reflexão é muito importante. E inibir a distração é se dar uma sobrevida em sociedade. Mas como ajudá-los a fazer isso? Como mostrar aos meus alunos que eles são possíveis, a partir do momento que renegarem, por um tempo, suas distrações, certezas ou confortos mentais e emocionais diante da vida? A madrugada chega e nada me ajuda...
Não pensemos em transtorno e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Não estou me referindo a distúrbios orgânicos. Estou falando de um tempo em que os mais jovens não estão sustentando suas concentrações por período prolongado porque encarnaram as certezas alheias e a velocidade do presente tecnológico. Estou falando de retroalimentar o tempo da diversão até um tempo de reflexão que favoreçam suas integrações em sociedade porque as novas tecnologias precisam estar em sala mas configuradas como pedagógicas. Estou falando em ensinar a selecionar, sustentar, manter e alternar níveis de atenção e concentração que diminuam seus prejuízos financeiros, profissionais, familiares e relacionais, porque é crescente ‘nossa’ perda juvenil para as facilidades das ilegalidades e da violência.
Meus alunos têm todas as competências biológicas para empreender este movimento plástico de aprender com qualidade. Quase manhã e nada... Estou à deriva e muito desconfortável... Muitas questões, muitas descobertas, mas nada de prática, nada de solução ou soluções para o agora da minha sala de aula.
Sem querer, meu sistema nervoso me tira dessa letargia: estou com fome e o estômago grita. Eu levo um susto. Não comi nada desde 17h e já são 3h50min da manha. Sem pensar, vou à cozinha, vejo o que tem e me alimento. Que bom! Enquanto me alimento, surge a resposta: estímulo! É isso! Tal como fez meu sistema nervoso através do meu estômago, a distração só se minimizará com estímulos, muitos estímulos. Estímulo como forma de desconectá-los de certas memórias e reconectá-los a outras mais significativas, úteis, curiosas, através de diferentes desafios. Estímulo através do desafio.
Jovens adoram se superar, adoram expor suas superações (conquistas). E as áreas do saber (disciplinas) precisam se remodelar em torno dessa ideia, mas dentro de algumas características importantes: flexibilidade, coletividade, desinibição, autonomia, menos controle. Todo e qualquer comprometimento pode ser ultrapassado (senão minimizado) por desafios flexíveis cujos objetivos sejam autolevantamento e autoavaliação das informações (certezas) anteriores.
Se distração é uma das características dos chamados ‘hiperativos’, também participa dos comportamentos mais sensoriais dos chamados ‘alunos normais’. Em ambos o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios fracos às outras áreas do cérebro, de forma a sossegar as tantas informações advindas do meio exterior no qual interagem. Logo, ambos mantêm estímulos em demasia bombardeando seus cérebros e, ai, desafios, projetos didáticos diferenciados, novas intervenções sensoriais de forma a criar autonomias cognitivas se justificam em sala.
Volto para sala de aula, num dia quente demais. Cabeça cheia de planos e alunos cheios de gás. Quero esse gás para mim! Tenho duas estratégias na mente, mas preciso sentir a turma. Não posso mais deixar a distração abrir caminho para outros comportamentos senão o da aprendizagem continuada. As impulsividades são permitidas, mas nada que sequestre a ideia de aprender continuadamente. Depois de um tempo, peço que façam um círculo, vemos um documentário sobre ‘Sábado à noite no baile’ (episódio do seriado Cidade dos Homens), sinto algo no ar, ninguém fala. Alguns riem, outros comentam, mas nada fora do contexto. Onde está a distração? Onde está a indiferença? Depois disso, discutimos temas sobre Modernismo, identificamos vários desses temas nos jornais e pedi que fizessem uma entrevista com alguém dentro dos temas discutidos. O que eles não sabem é que, aproveitando as entrevistas, vou introduzir alguns temas da gramática.
Interessante observar que os pensamentos processados diante do vídeo foram surpreendentes. É o desafio. É a contextualização. É relacionar o saber dos alunos com aqueles oferecidos pela escola. É mexer com todos os neurotransmissores de forma a proteger e expor sugestões, ideias, pensamentos com liberdade. De novo, ainda se estabelece a impulsividade, mas os canais estabelecidos para seu acontecimento contêm mais reflexão e argumentos muito pertinentes.
No fim da aula, aquela aluna ‘distraída’ me diz: ‘poxa professora, por que a aula não é sempre assim?’
TEMPO DE CAUSAR
‘Um homem sem memória é um homem sem história’, logo vamos resguardar nossos melhores contadores de histórias e marcadores de experiências – nossos professores (Nunes)
Hoje em dia, vira e mexe, esquecemos alguma coisa. A velocidade da vida diária e nossa constante mobilidade tornaram nosso cérebro refém dos desejos e ações externas. Sem notar, mas com algumas dores, nossa biologia está alterada. Em pleno vigor, nosso cérebro e corpo tentam se adaptar, assimilar e responder às nossas (intencionais ou não) solicitações, mas, vira e mexe, estão vencidos. E vencidos, falham, rateiam, entram em disfunção e nos desequilibram: hoje, acredito, estamos em desequilíbrio eletroquímico e cheios dos mais variados mecanismos de defesa.
Uma de nossas maiores preocupações é a percepção de que a falha de memória está se tornando ‘natural’ demais. Num mundo em velocidade acelerada, a falha de memória é assustadora. Não me refiro às razões patológicas ou da chegada da velhice, isso realmente é natural; refiro-me à velocidade das informações, à crescente necessidade de se ‘saber e fazer de tudo’ um pouco, ao stress da vida moderna em que há mais cortisol do que serotonina (mais desprazer do que prazer) etc. Estamos eletrizando demais nossas conexões neurais e criando ‘brancos’ enormes no cérebro. Vivemos então desconfortáveis de nossos esquecimentos.
Esquecemos a chave de casa, procuramos os óculos que estão em nossa cabeça, ‘perdemos’ o carro num estacionamento ou supermercado, deixamos objetos importantes em diferentes lugares, esquecemos palavras comuns, enfim: somos reflexo da vida moderna e nossos neurônios de associação vão ficando desvairados, senão esgotados completamente. Então estes esquecimentos, quando constantes, requerem atenção, muita atenção, pois prejudicarão, em médio prazo, nossas diferentes relações e causarão, senão dificuldades, transtornos às nossos comportamentos cognitivos e relacionais. É preciso ter muita atenção a isso!
Em nosso cotidiano veloz, entre ter atenção e compreensão, e realizar armazenamento e resgate (processo de construção do conhecimento e da memória) de informações, é cada vez mais real a presença do estresse, do pouco sono, da má alimentação e, lógico, da má gestão das relações pessoais com o dia a dia. Se assim o é, como fica, por exemplo, o ambiente escolar? Como ficam aprendentes e ensinantes em meio ao processo de construção da memória de longo prazo? Só a afetividade basta para emocionar o cérebro e mantê-lo aprendendo? Bom eu não sei, mas, de ‘prima’, digo: na escola, essa falta de atenção, qualquer falta de atenção é mais (muito) perigosa.
Quando adolescentes, os sujeitos estão confusos, se transformando rápido, tensos de futuro, além de extremamente sociais e autoafirmativos. Suas expectativas estão fixadas no tempo presente. Conquistas, sucessos, amores, dinheiro, sustentabilidade estão na ordem ‘do agora’ e suas relações envolvem estas necessidades e interesses. Seus cérebros estão assimilando informações dentro dessas afinidades, e, em contraponto, é forte e imprescindível a necessidade de autoafirmação, quer por desejo presente, quer por objetivos futuros: o tempo todo isso os retroalimenta.
Embora se imaginem (se projetem) no tempo como grandes conquistadores (médicos famosos, engenheiros famosos, empresários famosos, DJs famosos, artistas famosos, cantores famosos etc.), sua ambiência escolar atual está coagulada, com mielinização rala e sem ‘cola’ em diferentes áreas do saber oferecidas a eles como possibilidade curricular de realizar seus imaginários. E ai: desatenção, indisciplina, violência ou indiferença. Alertas, aqui, à sensação de falta de integração dos alunos ao processo de ensino sempre igual. Então por onde começar? O que fazer?
Particularmente, eu aceito a perspectiva do tempo. É o tempo que nos separa e diferencia. Tempo de vida. Tempo das gerações. Tempo de expectativa. Tempo de formação. Tempo dos desejos. Tempo, tempo, tempo. Sem pensar nisso, é difícil pensar em transformações ou, ao menos, nos porquês das transformações e renovações das práticas e necessidades de um e de outro ator educacional. Afinal, todos precisam de todos.
Nosso sistema nervoso (ensino) entrará em colapso sem o sistema endócrino (aprendizagem) porque estão/estamos perdendo afinidades. Sinapses (aprendizagem) só tem qualidade quando se realizam por afinidade e demandam a participação de todas as nossas memórias mais proteicas e oxigenadas. Então se há forte divisão entre as expectativas estudantis e as propostas pedagógicas e didáticas, o jeito é ‘causar’. Ou seja, é preciso irritar as células e criar formas de condutibilidade das informações no cérebro; é preciso dar sentido, significância, ‘marcar’, ‘surpreender’, ‘desafiar’, ‘chamar a atenção’ e acelerar o movimento sanguíneo e a respiração com força. Porém, atenção, para além da percepção de que as práticas pedagógicas e didáticas precisam de renovação e mais sinergia com o mundo estudantil e tecnológico atual, há a séria necessidade de reformatação da formação dos docentes dentro dessa modernidade toda.
Tal e qual o cérebro, o professor está refém de um tempo em que se sente um estranho, um visitante, um imigrante, quando se vê no contexto da sala de aula. Sua memória cognitiva (formativa) também não encontra ‘cola’ em seu aprendizado teórico. Seus neurotransmissores entram ‘em parafuso’ por falta de informações afins anteriores. Ele se sente um corpo estranho. Mas, ainda assim, dizem, ele precisa se adequar para não desaparecer como tantas outras profissões. Será?
Como é preciso criar novos potenciais de ação (impulsos nervosos) para gerar atenção, curiosidade e questionamento discente, é preciso também potencializar a capacidade docente de estar atento ao novo tempo e seus novos alunos. Aqui ‘causar’ também é uma fonte rica de transformação e realização da ‘decantada’ qualidade docente para o século XXI. E ai, de novo, devemos ter atenção ao tempo: no período de formação, o cérebro do futuro docente, por ritmo e repetição, é crivado de teorias cuja base é o aluno ideal. Acontece uma constante plasticidade em torno da romântica idealização do ensino, da aprendizagem, da escola e de seu futuro aluno. Estranho, não?
Fora isso, em sala de aula, apresentam-se o tempo da reflexão (cognição docente) e o tempo da diversão bem mais tecnológica (cognição discente). E lidar com isso não tem perspectiva na universidade. É a primeira emoção negativa de um docente porque não basta reconhecer essa (ou aquela) realidade, é preciso ativar a memória de longo prazo ou mesmo o cerebelo (e suas memórias mais antigas), criar excitações neuronais e didáticas, para compreender e aprender as novas performances docentes exigidas com boa fluidez e criatividade. Como assim? Se no período formativo, os neurônios especializados tiveram outras tarefas, como exigir outras ações agora? Como recuperar uma memória que não se tem? Como recuperar informação que não se tem?
Bom, continuo pensando... Só sei que não há facilitadores, é trabalhar ou trabalhar; é se experimentar ou se experimentar. Muitos são os tipos de memória (visual, audiovisual, sinestésica e outros) e dependendo da área do saber, o docente pode privilegiar uma delas ao longo de seu trabalho, se tiver tempo e possibilidade de estudos. Senão, será uma proposta de reação instintiva mesmo. E isso tanto pode se oferecer como um momento excelente de ‘oxigenação do cérebro’ e atualização pedagógica; como também, pode ‘causar’ muitos problemas nos ensinos e nas aprendizagens (construção do conhecimento e de memórias de longo prazo).
Se tudo o que for possível estiver eliminado, a resposta está no impossível e daí sinceramente, é ser curioso e aprender a correr riscos. Se o mundo está em erupção social e educacional depois da forte entrada das tecnologias digitais e virtuais, novos caminhos precisam ser encontrados e os planos do curso educacional (re)traçados. Não se pode perder (esquecer) nada e/ou ninguém nos dias atuais, muito menos um professor. Atenção, muita atenção!
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O QUE ACONTECEU ENTRE 1959 e 2011
PARA REFLETIR
Entre 1959 e 2011
Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.
· Ano 1959: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e até umas reguadas nas mãos e volta tranqüilo à classe. Esconde o fato dos pais com medo de apanhar mais. Pronto.
· Ano 2011: É mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra receita Rivotril. Transforma-se num zumbi. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz e processam o colégio.
Cenário 2: Luis, de sacanagem quebra o farol de um carro, no seu bairro.
· Ano 1959: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no traseiro. A Luis nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.
· Ano 2011: Prendem o pai de Luis por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu filho. Sem o guia de uma figura paterna, Luis se volta para a droga, delinqüe e fica preso num presídio especial para adolescentes.
Cenário 3: José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...
· Ano 1959: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.
· Ano 2011: A professora Maria é acusada de não cuidar das crianças. José passa cinco anos em terapia pelo susto e seus pais processam o colégio por danos psicológicos e a professora por negligência, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida...
Cenário 4: Disciplina escolar
· Ano 1959: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "mijada" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade e no resto da semana não incomodávamos mais ninguém.
· Ano 2011: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por fazê-lo. Nosso velho vai até o colégio dar queixa do professor e para consolá-lo compra uma moto para o filhinho.
Cenário 5: Horário de Verão.
· Ano 1959: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Nada acontece.
· Ano 2011: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, nas mulheres aparece até celulite.
Cenário 6: Fim das férias.
· Ano 1959: Depois de passar férias com toda a família enfiados num Gordini ou Fusca, é hora de voltar após 15 dias de sol na praia. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.
· Ano 2011: Depois de voltar de Cancun, numa viagem 'all inclusive', terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, "panic attack", seborréia, e ainda precisa de mais 15 dias de readaptação...
Cenário 7: Saúde.
· Ano 1959: Quando ficávamos doentes, íamos ao INPS aguardávamos 2 horas para sermos atendidos, não pagávamos nada, tomávamos os remédios e melhorávamos.
· Ano 2011: Pagamos uma fortuna por plano de saúde. Quando fazemos uma distensão muscular, conseguimos uma consulta VIP para daqui a 3 meses, o médico ortopedista vê uma pintinha no nosso nariz, acha que é câncer, nos indica um amigo dermatologista que pede uma biópsia, e nos indica um amigo oftalmologista porque acha que temos uma deficiência visual. Fazemos quimioterapia, usamos óculos e depois de dois anos e mais 15 consultas, melhoramos da distensão muscular.
Cenário 8: Trabalho.
· Ano 1959: O funcionário era "pego" fazendo cera (fazendo nada). Tomava uma regada do chefe, ficava com vergonha e ia trabalhar.
· Ano 2011: O funcionário pego "desestressando" é abordado gentilmente pelo chefe que pergunta se ele está passando bem. O funcionário acusa-o de bullying e assédio moral, processa a empresa que toma uma multa, o funcionário é indenizado e o chefe é demitido.
Cenário 9: Assédio.
· Ano 1959: A colega gostosona recebe uma cantada de Ricardo. Ela reclama, faz charminho mas fica envaidecida, saem para jantar, namoram e se casam.
· Ano 2011: Ricardo admira as pernas da colega gostosona quando ela nem está olhando, ela o processa por assédio sexual, ele é condenado a prestar serviços comunitários. Ela recebe indenização, terapia e proteção paga pelo estado.
Pergunta-se:
EM QUE MOMENTO FOI, ENTRE 1959 E 2011, QUE NOS TRANSFORMAMOS NESTE BANDO DE BOSTAS?
Assinar:
Postagens (Atom)





