Estou amarga,
desculpem... Ser adulto é péssimo! O projeto humano de se estender por
extensões e extensões de “terra” (superfície), mesmo em ambiente virtual
(tela), está anulado porque as palavras de “ordem e progresso” como espontaneidade,
impulsividade e criatividade estão aprisionadas por diversas “chantagens
emocionais” ou “artimanhas teatrais”, elencadas nas maneiras com que alguns
incitam ou manipulam muitos indivíduos. Se a opção - fragilizar
profissionalmente - não serve, denegrir moralmente é uma “jogada de mestre”.
Senão ao outro, pelo menos àqueles que nos cercam, a “preferência nacional” é a
fofoca “inventiva” e sem possibilidade (ou necessidade) de comprovação.
O ponto chave do
jogo entre humanos é tentar destruir a rede em que os ditos “mais perigosos”
(diferentes) fundamentam suas seguranças, forças ou energias. Enquanto muitos
de nós viajamos pelo tempo dentro de uma normose[1],
os “diferentes” são colocados à margem, são apontados em conversas ao pé do
ouvido e são algumas vezes ridicularizados, por não viverem dentro de “ações
globais e globalizantes” coletivas. Pergunto eu: para que isso?
Esquecemos que
os diferentes têm hora, momento e lugar... diferente. E isso não significa
tornarem-se estorvos ou ameaças, isso teria que significar mais entendimento,
parceria e diálogo no processo de desenvolvimento humano em prol do bem estar
da coletividade e da “boa convivência”! Mas não, as pessoas vagam, ao nosso
redor, como “almas penadas” ou “espíritos obsessores”, no intuito de vampirizar
um brilho, uma alegria, uma segurança (“energias positivas”), dentro de risadas
inseguras e planejadas, por pura incompetência pessoal. Uma amiga sempre me diz
“o que falta é nós aprendermos o sentido da palavra ADMIRAÇÃO”.
Quem somos nós,
então? Somos frágeis... Somos alvos fáceis... Somos
eternamente sobreviventes... E mesmo assim, não somos nossos próprios aliados.
Por medo, somos antropofágicos sem limites ou ética. Ética? Essa é a palavra de
maior baixo calão de nosso tempo. Pandora não só enclausurou a esperança. De
alguma maneira, numa masmorra alta e íngreme, esta moça também trancou a Ética
e o Caráter. Conviver com pessoas? Muito difícil...
O que é que tem
ser diferente? O que é que tem amar diferente ou os diferentes? O que é que tem
agir diferente? E, principalmente, quem determinou os critérios do que seja
“ser diferente”? Nós passamos a vida recolhendo as certezas de outrem e, na
hora em que somos solicitados a sermos pessoas melhores, estamos conformados
demais em dogmas e/ou preconceitos. Devemos poder julgar por várias impressões
e saber errar. Devemos poder agir por nossos batimentos cardíacos e saber
morrer. Devemos pedir licença, mas nunca deixar de entrar onde quisermos! Será
que o olhar dos outros é um dos grandes entraves da humanidade? Será que é por
isso que a justiça é cega? Impressionante!
Pensemos um
pouco: o diferente nunca é um chato. Não há obviedade ou monotonia em nossas
inter-relações com ele. Nossa sensibilidade não se previne, não rechaça, não se
adia, ela segue experimentando porque precisamos crescer. Sabe o que acontece
na verdade? O diferente é um ser muito próximo da perfeição. Como soberbamente
nos acreditamos seres humanos perfeitos, como aceitar a versão do outro?
Impossível!
As pessoas têm
mil disfarces (voz, escrita, gestos) e, quando invisíveis, agem com mais
sordidez porque suas personas são “pequenas” e sórdidas mesmo... Aos poucos,
vão matando ou alinhando os diferentes, e igualizando as atitudes. Sabe o que é
um chato? É um diferente que não vingou, dirá Arthur da Távola. Nós somos
normais demais!
Segundo o senso
comum, o ser humano age de acordo com a seguinte expressão “venha à nós [...],
mas ao vosso reino, [nada]!” Então, um conselho: se houver a mínima
possibilidade de retornarmos ao mundo real depois da morte, vamos ser PEIXE e
de aquário! Ou ainda, vamos retomar o cérebro reptiliano como cérebro central,
assim só nos projetaremos na realidade por instinto (sugestão da Natureza),
nada de pensamentos, análises ou leituras. O raciocínio tem sido o maior veneno
da raça humana.
Nessa confusão,
espalham-se, nas relações, complexos, traumas e desavenças. E pior:
prejudica-se sempre o outro, o diferente. Sabe o que está esquecido no limbo
desta loucura toda? Nosso potencial de reflexão! Esse é o ponto nevrálgico a
uma proposta possível de grande guinada de todo ser humano. Precisamos
acreditar no potencial de reflexão de si e do outro, e ir provocando superações
por “força e com vontade” na medida dos conflitos. Início de tudo? Acreditar
que a vida, além de palco para grandes estréias, cuja bilheteria dependerá mais
da regularidade do que da promessa do “vir-a-ser”, é uma viagem em busca de
amor ao próximo.
Esse amor não
descarta as dores ou feridas. Elas são paradas obrigatórias para experimentar
outras sensações, momentos e/ou pessoas. Mas se acreditarmos que essas dores
são “investimentos”, elas só podem ter a ação de nos transformar e/ou nos
preparar para outras etapas de mais amores, mais encontros, mais afetos, sempre
muito essenciais. De novo falamos em
criar ADMIRAÇÕES. Não há porque complicar. É preciso seguir a vida observando o
“caminho dos ventos”, mesmo que, às vezes, a bússola nos falte. Não há porque
nos perdermos em tensões excessivas, desnecessárias e até inventadas.
Todos sempre
dizem que “os seres humanos foram criados iguais quanto a sua capacidade e
potencial”. As diferenças seriam decididas e desenvolvidas pelo/através do
ambiente. Há, então, no mundo, uma hipotética igualdade de oportunidade. Então
como se destacam pessoas como Freud, Salvador Dali, Anísio Teixeira ou Machado
de Assis? Por oportunidade, uma genética sem limites e sem radicalismos, e,
principalmente, AMOR AO PRÓXIMO!!
Por
favor, mais do que salvar as baleias, SALVEM também os diferentes!
Claudia Nunes
2007
[1] Segundo Pierre
Weil et alii, “A normose [... é] o conjunto de normas, conceitos, valores,
estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou
pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e
morte. Em outras palavras, é algo patogênico e letal, executado sem que os seus
autores e atores tenham consciência de sua natureza patológica”.
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