quarta-feira, 17 de junho de 2015

ALVO, os diferentes

Estou amarga, desculpem... Ser adulto é péssimo! O projeto humano de se estender por extensões e extensões de “terra” (superfície), mesmo em ambiente virtual (tela), está anulado porque as palavras de “ordem e progresso” como espontaneidade, impulsividade e criatividade estão aprisionadas por diversas “chantagens emocionais” ou “artimanhas teatrais”, elencadas nas maneiras com que alguns incitam ou manipulam muitos indivíduos. Se a opção - fragilizar profissionalmente - não serve, denegrir moralmente é uma “jogada de mestre”. Senão ao outro, pelo menos àqueles que nos cercam, a “preferência nacional” é a fofoca “inventiva” e sem possibilidade (ou necessidade) de comprovação.
O ponto chave do jogo entre humanos é tentar destruir a rede em que os ditos “mais perigosos” (diferentes) fundamentam suas seguranças, forças ou energias. Enquanto muitos de nós viajamos pelo tempo dentro de uma normose[1], os “diferentes” são colocados à margem, são apontados em conversas ao pé do ouvido e são algumas vezes ridicularizados, por não viverem dentro de “ações globais e globalizantes” coletivas. Pergunto eu: para que isso?
Esquecemos que os diferentes têm hora, momento e lugar... diferente. E isso não significa tornarem-se estorvos ou ameaças, isso teria que significar mais entendimento, parceria e diálogo no processo de desenvolvimento humano em prol do bem estar da coletividade e da “boa convivência”! Mas não, as pessoas vagam, ao nosso redor, como “almas penadas” ou “espíritos obsessores”, no intuito de vampirizar um brilho, uma alegria, uma segurança (“energias positivas”), dentro de risadas inseguras e planejadas, por pura incompetência pessoal. Uma amiga sempre me diz “o que falta é nós aprendermos o sentido da palavra ADMIRAÇÃO”.
Quem somos nós, então? Somos frágeis... Somos alvos fáceis... Somos eternamente sobreviventes... E mesmo assim, não somos nossos próprios aliados. Por medo, somos antropofágicos sem limites ou ética. Ética? Essa é a palavra de maior baixo calão de nosso tempo. Pandora não só enclausurou a esperança. De alguma maneira, numa masmorra alta e íngreme, esta moça também trancou a Ética e o Caráter. Conviver com pessoas? Muito difícil...
O que é que tem ser diferente? O que é que tem amar diferente ou os diferentes? O que é que tem agir diferente? E, principalmente, quem determinou os critérios do que seja “ser diferente”? Nós passamos a vida recolhendo as certezas de outrem e, na hora em que somos solicitados a sermos pessoas melhores, estamos conformados demais em dogmas e/ou preconceitos. Devemos poder julgar por várias impressões e saber errar. Devemos poder agir por nossos batimentos cardíacos e saber morrer. Devemos pedir licença, mas nunca deixar de entrar onde quisermos! Será que o olhar dos outros é um dos grandes entraves da humanidade? Será que é por isso que a justiça é cega? Impressionante!
Pensemos um pouco: o diferente nunca é um chato. Não há obviedade ou monotonia em nossas inter-relações com ele. Nossa sensibilidade não se previne, não rechaça, não se adia, ela segue experimentando porque precisamos crescer. Sabe o que acontece na verdade? O diferente é um ser muito próximo da perfeição. Como soberbamente nos acreditamos seres humanos perfeitos, como aceitar a versão do outro? Impossível!
As pessoas têm mil disfarces (voz, escrita, gestos) e, quando invisíveis, agem com mais sordidez porque suas personas são “pequenas” e sórdidas mesmo... Aos poucos, vão matando ou alinhando os diferentes, e igualizando as atitudes. Sabe o que é um chato? É um diferente que não vingou, dirá Arthur da Távola. Nós somos normais demais!
Segundo o senso comum, o ser humano age de acordo com a seguinte expressão “venha à nós [...], mas ao vosso reino, [nada]!” Então, um conselho: se houver a mínima possibilidade de retornarmos ao mundo real depois da morte, vamos ser PEIXE e de aquário! Ou ainda, vamos retomar o cérebro reptiliano como cérebro central, assim só nos projetaremos na realidade por instinto (sugestão da Natureza), nada de pensamentos, análises ou leituras. O raciocínio tem sido o maior veneno da raça humana.
Nessa confusão, espalham-se, nas relações, complexos, traumas e desavenças. E pior: prejudica-se sempre o outro, o diferente. Sabe o que está esquecido no limbo desta loucura toda? Nosso potencial de reflexão! Esse é o ponto nevrálgico a uma proposta possível de grande guinada de todo ser humano. Precisamos acreditar no potencial de reflexão de si e do outro, e ir provocando superações por “força e com vontade” na medida dos conflitos. Início de tudo? Acreditar que a vida, além de palco para grandes estréias, cuja bilheteria dependerá mais da regularidade do que da promessa do “vir-a-ser”, é uma viagem em busca de amor ao próximo.
Esse amor não descarta as dores ou feridas. Elas são paradas obrigatórias para experimentar outras sensações, momentos e/ou pessoas. Mas se acreditarmos que essas dores são “investimentos”, elas só podem ter a ação de nos transformar e/ou nos preparar para outras etapas de mais amores, mais encontros, mais afetos, sempre muito essenciais.  De novo falamos em criar ADMIRAÇÕES. Não há porque complicar. É preciso seguir a vida observando o “caminho dos ventos”, mesmo que, às vezes, a bússola nos falte. Não há porque nos perdermos em tensões excessivas, desnecessárias e até inventadas.
Todos sempre dizem que “os seres humanos foram criados iguais quanto a sua capacidade e potencial”. As diferenças seriam decididas e desenvolvidas pelo/através do ambiente. Há, então, no mundo, uma hipotética igualdade de oportunidade. Então como se destacam pessoas como Freud, Salvador Dali, Anísio Teixeira ou Machado de Assis? Por oportunidade, uma genética sem limites e sem radicalismos, e, principalmente, AMOR AO PRÓXIMO!!
Por favor, mais do que salvar as baleias, SALVEM também os diferentes!

Claudia Nunes 2007



[1] Segundo Pierre Weil et alii, “A normose [... é] o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte. Em outras palavras, é algo patogênico e letal, executado sem que os seus autores e atores tenham consciência de sua natureza patológica”.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

FINLÂNDIA aposta no PROFESSOR!

28 de maio de 2013 às 9:07 | Por Cheyenne Cavalcanti

O país com a melhor educação do mundo é a Finlândia. Por quatro anos consecutivos, o país do norte da Europa ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a qualidade de ensino. O segredo deste sucesso, segundo Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, não tem nada a ver com métodos pedagógicos revolucionários, uso da tecnologia em sala de aula ou exames gigantescos como Enem ou Enade. Pelo contrário: a Finlândia dispensa as provas nacionais e aposta na valorização do professor e na liberdade para ele poder trabalhar.
Jaana Palojärvi esteve em São Paulo nesta quinta-feira (23) para participar de um seminário sobre o sistema de educação da Finlândia, no Colégio Rio Branco. A diretora do ministério orgulha-se da imagem de seu país “tetracampeão” do Pisa. O ranking é elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e aplicado a cada três anos com ênfase em uma área do conhecimento. No último, em 2010, o Brasil ficou na 53ª colocação entre 65 países. Uma nova edição do Pisa será lançada em dezembro.
Na Finlândia a educação é gratuita, inclusive no ensino superior. Só 2% das escolas são particulares, mas são subsidiadas por fundos públicos e os estudantes não pagam mensalidade. As crianças só entram na escola a partir dos 7 anos. Não há escolas em tempo integral, pelo contrário, a jornada é curta, de 4 a 7 horas, e os alunos não têm muita lição de casa. “Também temos menos dias letivos que os demais países, acreditamos que quantidade não é qualidade”, diz Jaana.
A diretora considera que o sistema finlandês de educação passou por duas grandes mudanças, uma na década de 70 e outra em 90. A partir do início da década de 90, a educação foi descentralizada, e os municípios, escolas e, principalmente, os professores passaram a ter mais autonomia.
“Fé e confiança têm papel fundamental no sistema finlandês. Descentralizamos, confiamos e damos apoio, assim que o sistema funciona. O controle não motiva o professor a dar o melhor de si. É simples, somos pragmáticos, gostamos de coisas simples.”
O governo também não costuma inspecionar o ensino das 3.000 escolas que atendem 55.000 estudantes na educação básica. O material usado e o currículo são livres, por isso podem variar muito de uma unidade para outra.
“Os professores planejam as aulas, escolhem os métodos. Não há prova nacional, não acreditamos em testes, estamos mais interessados na aprendizagem. Os professores têm muita autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na Finlândia.”
Os docentes da Finlândia ganham, em média, 3 mil euros por mês, em torno de R$ 8 mil reais, considerado um salário “médio” para o país. Para conquistar a vaga é preciso ter mestrado e passar por treinamento. O salário aumenta de acordo com o tempo de casa do professor, mas não há bônus concedidos por mérito. A remuneração não é considerada alta. “Em compensação, oferecemos ao professor um ambiente de trabalho interessante.”
Jaana diz que a educação na Finlândia faz parte de uma cultura, resultado de um trabalho longo, porém, simples, mas evita dar lições ou conselhos a outras nações. “Temos muitas diferenças em relação ao Brasil, que é enorme, somos um país pequeno de 5,5 milhões de habitantes. Na Finlândia não temos a figura do Estado, a relação fica entre governo, município e escola. O sistema é muito diferente. A Finlândia não quer dar conselhos, nós relutamos muito em relação a isso”, afirma.
Mais do que o bom resultado do país no Pisa, Jaana comemora a equidade entre as escolas – também apontada pelo exame. “Para nós, é o mais importante. Queremos que as escolas rurais localizadas nas florestas, ou do Norte que ficam sob a neve em uma temperatura negativa de 25 graus, tenham o mesmo desempenho das da capital, das áreas de elite. E (este desempenho) é bem semelhante.”
Entre todos os países testados pelo Pisa, a Finlândia tem a menor disparidade entre as escolas. O resultado tem explicação. Lá, os alunos mais fracos estão sob a mira dos docentes. “Os professores não dedicam muita atenção aos bons alunos, e sim aos fracos, não podemos perdê-los, temos de mantê-los no sistema.”
‘Tecnologia é ferramenta, não conteúdo’
Tecnologia também não é o forte das escolas finlandesas, que preferem investir em gente. “Não gostamos muito de tecnologia, ela é só uma ferramenta, não é o conteúdo em si. Tecnologia pode ser usada ou não, não é um fator chave para a aprendizagem.”
A educação básica dura nove anos. Só 2% dos estudantes repetem o ano, o índice de conclusão é de 99,7%. O segredo do sucesso não está ligado ao investimento, segundo Jaana, que reforça que o país investe apenas 6% de seu PIB no segmento. “O sistema de educação gratuito não sai tão caro assim, é uma questão de organização”, afirma.
A diretora do ministério da Finlândia esteve na terça-feira (21) em uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura do Senado, em Brasília, para apresentar o modelo de educação do seus país aos parlamentares brasileiros.


Fonte: g1.globo.br