No mundo contemporâneo e líquido, pensar educação é pensar mediação, colaboração, cognição, habilidades e solidariedade. É enfim pensar estímulos ao pensamento mais complexo de todos. É possível? Vamos tentar!
domingo, 25 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
FINLÂNDIA aposta no PROFESSOR!
28 de maio de 2013 às 9:07 | Por
Cheyenne Cavalcanti
O país com a
melhor educação do mundo é a Finlândia. Por quatro anos consecutivos, o país do
norte da Europa ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de
Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a qualidade de ensino. O segredo deste
sucesso, segundo Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação e
Cultura da Finlândia, não tem nada a ver com métodos pedagógicos
revolucionários, uso da tecnologia em sala de aula ou exames gigantescos
como Enem ou Enade. Pelo contrário: a Finlândia dispensa as provas nacionais e
aposta na valorização do professor e na liberdade para ele poder trabalhar.
Jaana Palojärvi
esteve em São Paulo nesta quinta-feira (23) para participar de um seminário
sobre o sistema de educação da Finlândia, no Colégio Rio Branco. A diretora do
ministério orgulha-se da imagem de seu país “tetracampeão” do Pisa. O ranking é
elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), e aplicado a cada três anos com ênfase em uma área do
conhecimento. No último, em 2010, o Brasil ficou na 53ª colocação entre 65
países. Uma nova edição do Pisa será lançada em dezembro.
Na Finlândia a
educação é gratuita, inclusive no ensino superior. Só 2% das escolas são
particulares, mas são subsidiadas por fundos públicos e os estudantes não pagam
mensalidade. As crianças só entram na escola a partir dos 7 anos. Não há
escolas em tempo integral, pelo contrário, a jornada é curta, de 4 a 7 horas, e
os alunos não têm muita lição de casa. “Também temos menos dias letivos que os
demais países, acreditamos que quantidade não é qualidade”, diz Jaana.
A diretora
considera que o sistema finlandês de educação passou por duas grandes mudanças,
uma na década de 70 e outra em 90. A partir do início da década de 90, a
educação foi descentralizada, e os municípios, escolas e, principalmente, os
professores passaram a ter mais autonomia.
“Fé e confiança
têm papel fundamental no sistema finlandês. Descentralizamos, confiamos e damos
apoio, assim que o sistema funciona. O controle não motiva o professor a dar o
melhor de si. É simples, somos pragmáticos, gostamos de coisas simples.”
O governo também
não costuma inspecionar o ensino das 3.000 escolas que atendem 55.000
estudantes na educação básica. O material usado e o currículo são livres, por
isso podem variar muito de uma unidade para outra.
“Os professores
planejam as aulas, escolhem os métodos. Não há prova nacional, não acreditamos
em testes, estamos mais interessados na aprendizagem. Os professores têm muita
autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na
Finlândia.”
Os docentes da
Finlândia ganham, em média, 3 mil euros por mês, em torno de R$ 8 mil reais,
considerado um salário “médio” para o país. Para conquistar a vaga é preciso
ter mestrado e passar por treinamento. O salário aumenta de acordo com o tempo
de casa do professor, mas não há bônus concedidos por mérito. A remuneração não
é considerada alta. “Em compensação, oferecemos ao professor um ambiente de
trabalho interessante.”
Jaana diz que a
educação na Finlândia faz parte de uma cultura, resultado de um trabalho longo,
porém, simples, mas evita dar lições ou conselhos a outras nações. “Temos
muitas diferenças em relação ao Brasil, que é enorme, somos um país pequeno de
5,5 milhões de habitantes. Na Finlândia não temos a figura do Estado, a relação
fica entre governo, município e escola. O sistema é muito diferente. A
Finlândia não quer dar conselhos, nós relutamos muito em relação a isso”,
afirma.
Mais do que o
bom resultado do país no Pisa, Jaana comemora a equidade entre as escolas –
também apontada pelo exame. “Para nós, é o mais importante. Queremos que as
escolas rurais localizadas nas florestas, ou do Norte que ficam sob a neve em
uma temperatura negativa de 25 graus, tenham o mesmo desempenho das da capital,
das áreas de elite. E (este desempenho) é bem semelhante.”
Entre todos os
países testados pelo Pisa, a Finlândia tem a menor disparidade entre as
escolas. O resultado tem explicação. Lá, os alunos mais fracos estão sob a mira
dos docentes. “Os professores não dedicam muita atenção aos bons alunos, e sim
aos fracos, não podemos perdê-los, temos de mantê-los no sistema.”
‘Tecnologia é
ferramenta, não conteúdo’
Tecnologia
também não é o forte das escolas finlandesas, que preferem investir em gente.
“Não gostamos muito de tecnologia, ela é só uma ferramenta, não é o conteúdo em
si. Tecnologia pode ser usada ou não, não é um fator chave para a
aprendizagem.”
A educação
básica dura nove anos. Só 2% dos estudantes repetem o ano, o índice de
conclusão é de 99,7%. O segredo do sucesso não está ligado ao investimento,
segundo Jaana, que reforça que o país investe apenas 6% de seu PIB no segmento.
“O sistema de educação gratuito não sai tão caro assim, é uma questão de
organização”, afirma.
A diretora do
ministério da Finlândia esteve na terça-feira (21) em uma audiência pública na
Comissão de Educação e Cultura do Senado, em Brasília, para apresentar o modelo
de educação do seus país aos parlamentares brasileiros.
Fonte:
g1.globo.br
segunda-feira, 15 de julho de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
NOTA MAIS ALTA não é educação melhor!
'Nota
mais alta não é educação melhor'
Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de
Educação dos EUA
Erro. Ênfase em responsabilização de
professor é danosa para a educação, afirma Diane
Uma das principais
defensoras da reforma educacional americana - baseada em metas, testes
padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e
fechamento de escolas mal avaliadas - mudou de ideia. Após 20 anos defendendo
um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil,
Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos
Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.
Secretária-adjunta de
Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George
Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o
National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes
federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e
Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas
em medição e mérito, para melhorar a educação.
Sua revisão de
conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American
School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado
no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem
provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia
entrevista concedida por Diane ao Estado.
Por que
a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana?
Eu apoiei as avaliações, o sistema de
accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos
estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências
acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram
repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não
melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.
Em sua
opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e
Accountability?
O No Child Left Behind não funcionou por
muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter
100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer
que isso não aconteceria - e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram
diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse
objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque
não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa
estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de
trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos
para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução
do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades
básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim,
porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações
mínimas.
Qual é
o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as
limitações?
Avaliações padronizadas dão uma fotografia
instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser
usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas,
educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações.
Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes,
e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas
aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria,
apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer
medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.
Na sua
avaliação, professores também devem ser avaliados?
Professores devem ser testados quando
ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os
conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem
ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão
fazendo seu trabalho.
E o que
ajudaria a melhorar a qualidade dos professores?
Isso depende do tipo de professor. Escolas
precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais
qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais
dificuldades.
Com
base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a
melhorar a educação?
As melhores escolas têm alunos que nasceram
em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o
estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido,
em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história,
artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto
vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase
exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva
apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as
exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem,
necessariamente, melhorar a educação.
O que
se pode aprender da reforma educacional americana?
A reforma americana continua na direção
errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem
punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam
negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral.
E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a
destruí-los.
Quais são os conceitos que devem ser mantidos
e quais devem ser revistos?
A lição mais importante que podemos tirar do
que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a
educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação.
Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos
de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas
o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de
múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa
educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar
com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.
QUEM É
É pesquisadora de educação da Universidade de
Nova York. Autora de vários livros sobre sistemas educacionais, foi
secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação entre
1991 e 1993, durante o governo de George Bush. Foi indicada pelo ex-presidente
Bill Clinton para o National Assessment Governing Board, órgão responsável pela
aplicação dos testes educacionais americanos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
MEDIAÇÃO ou INTERAÇÃO?
Virou moda chamar
todos os professores de “mediadores”, mas uma grande parte não é. Mediar não é
o mesmo que interagir, não é o mesmo que ensinar. Mediação é muito mais do que
isso. De acordo com Reuven Feuerstein, um dos maiores educadores do mundo, a mediação
precisa ter algumas características muito especiais. Sem elas, não é mediação,
é apenas uma “interação”.
Vejamos as três
principais:
1 – Intencionalidade e reciprocidade
O mediador precisa
querer ensinar o conteúdo com tal paixão e decisão que fará tudo o que estiver
ao seu alcance para explicar da melhor forma possível. Adaptará a linguagem
para que a criança com deficiência realmente compreenda. Usará as tecnologias
disponíveis na escola para que o conceito se torne claro. Isso tudo chamaremos
de intencionalidade, que é a soma do objetivo com as todas as ações possíveis
para que o ensino seja realmente de qualidade. Além da intencionalidade do
professor, o aluno precisa desejar aprender. Isso se chama reciprocidade. E o
mediador usa estratégias adequadas para encantar o aluno desde o princípio,
para chamar sua atenção, para conquistar sua vontade de aprender.
2 – Transcendência
Não basta aprender
para fazer uma prova. É preciso que se aprenda de tal forma que seja possível
aplicar o conceito construído em qualquer outra situação ou contexto. A
compreensão do conceito é tal que a criança passa a aplicar o aprendido em sua
própria vida e consegue explicar qualquer nova situação em que o conceito
esteja presente.
3 – Mediação do significado
Um conceito realmente
compreendido se interliga a outros conceitos já construídos pela criança. O
mediador precisa ajudar a criança a fazer isso, principalmente uma criança com
dificuldades de aprendizagem. Mediar o significado é mostrar aos alunos onde se
aplica o conteúdo recém-aprendido, de que forma esse conteúdo aumenta a
compreensão sobre outros fatos e como o conceito pode ampliar a compreensão de
mundo da criança. Tudo isso é mediar o significado de um conceito.
Segundo Feuerstein, um mediador sempre
considera em suas atitudes essas três características anteriores; no entanto,
para que um mediador seja ainda melhor é necessário que inclua outras nove
características em sua interação com seus alunos, incluindo as crianças com
deficiências. Se as três características estiverem presentes num professor, ele
já pode ser considerado um mediador; no entanto, se tal professor apresentar em
suas atitudes as outras nove, ele será um mediador ainda melhor.
Os professores
precisam receber formação continuada para que possam desenvolver melhor sua
metodologia. Sabemos que muitos professores já agem de acordo com as
características de mediação aqui defendidas, mas para que possam ser ainda mais
eficazes é importante que suas ações sejam conscientes e planejadas, e não
apenas fruto do acaso ou de experiências – ainda que bem-sucedidas. Precisamos
nos profissionalizar cada vez mais. Precisamos agir com nossos alunos sabendo o
que queremos e onde pretendemos levá-los com nossa ajuda, e em especial para
com os alunos com deficiências. Sem esses pré-requisitos iremos interagir com
eles, mas não saberemos se as vitórias ou fracassos dependeram mais de nós ou
das próprias crianças.
Inspirado na obra Mediação
da aprendizagem na educação especial, de Gislaine Coimbra Budel e Marcos Meier
(Editora IBPEX, 2012).
Artigo escrito por
Marcos Meier e Gislaine Coimbra Budel e publicado na edição de dezembro de 2012
da revista Profissão Mestre.
Bjos Claudia Nunes
segunda-feira, 15 de abril de 2013
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